Aceitação e auto conhecimento
- Laura Schaefer
- há 2 dias
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Sabe aquilo que você tem, ou faz, que te dá vergonha, tristeza ou um sentimento de incapacidade de mudar? Vamos chamar de sintoma. Aquele que não vai embora, ou que volta de outro jeito, mas que sempre está ali.
Como seria ótimo se tivéssemos um caminho fácil de ser resolvido, ou uma cura, igual a uma dor de cabeça que passa depois de tomar uma dipirona. Acredito que todos temos maneiras de lidar com esse mal, de um jeito ou de outro. Adoro pensar que somos muito criativos para contorná-lo. Temos, então, a psicoterapia, que se propõe a ajudar nesse processo que não é fácil — ainda mais porque não trabalhamos com cura.
Estava pensando sobre isso enquanto assistia a uma das minhas séries favoritas, The Marvelous Mrs. Maisel, especificamente na personagem Susie. Na série, Susie é uma mulher de origem simples, porém muito ambiciosa, que sonha em ser empresária de artistas. Alerta de spoiler: ela tem um grande problema com o vício em apostas. A série se passa nos anos 60 e, em um cenário bacana, ela estaria em uma poltrona confortável ou até em um divã tratando esse sintoma.
Mas sua jornada continua apesar desse problema, desse empecilho. À medida que a história avança, Susie consegue aos poucos, aos trancos e barrancos e com muito trabalho, realizar seu sonho.
Às vezes, precisamos admitir que essa parte que consideramos ruim faz parte de nós, da nossa história, de como construímos nosso cotidiano, etc. Novamente, amo a criatividade que temos para contornar isso ou apenas conviver. A psicoterapia tem muitas maneiras de, junto com o paciente, trabalhar esse sintoma que gera conflito e angústia.
Somos seres em constante mudança. O que isso significava para você em determinado momento da vida, tenho certeza de que não tem o mesmo significado hoje. Mas talvez ainda esteja lá. Muitas vezes, o que temos para hoje é a aceitação. Mas não uma aceitação passiva e desmotivadora, e sim um entendimento de nossas limitações e a pergunta: "o que vamos fazer com isso?". Às vezes, podemos até achar vantagens que não sabíamos em nossas fraquezas.
A lição que vejo em Susie é que, apesar de nunca ter podido superar sua fraqueza, ela sempre buscava formas de minimizar os danos, formas de contornar a situação e, o mais importante, não se paralisar por ela nem ceder a ela. Se era o jeito que conseguia viver, buscou seus sonhos apesar de tudo. Isso me parece uma jornada interessante.